Blog Andando por Aí
Frio branco
Estou hoje (14/8/19) na Estância Tio Tonho aqui em São José dos Ausentes. Vim finalizar detalhes do roteiro da Aventura no Topo do Rio Grande, que estou preparando para conduzir nos dias 27, 28 e 29 de setembro. Peguei um frio típico de inverno aqui, que congelou tudo em volta, deixando o campo branco que foi se dissolvendo assim que o sol lambia a paisagem. Se tem geada, não tem neve e mais uma vez a previsão me traiu. Mas o atrativo mesmo, que é o frio intenso, este marcou presença com seus três graus negativos. O Camargo, tomado bem cedo, foi embalado pelos sons e cheiros do galpão da estância, funcionando como um bálsamo para preparar as atividades do dia.
Aqui pelos campos de Ausentes, nesta época de inverno, a paisagem assume uma coloração negra nos campos, fruto das queimadas anuais que são implementadas para eliminar a palhada morta e preparar o ambiente para a brotação do novo campo de primavera, fundamental para quem cria gado por aqui. Melancólica e necessária, esta prática é secular e parece que há muito tem seus impactos absorvidos pela fauna e flora nativas, que de alguma forma, se adaptou a passagem rápida do fogo.
Esta é uma vista da Pousada Fazenda Monte Negro, local onde o grupo participante do programa - Aventura no Topo do Rio Grande, ficará hospedado. Local tradicional, com muita história de bom acolhimento e com uma gastronomia campeira diferenciada que atrai gente de todos os lugares do Brasil e do exterior. Aqui ficaremos muito bem acolhidos com as boas práticas de receber da família Pereira, que bem sabem deixar os visitantes confortáveis e felizes.
O cânion Monte Negro será o lugar visitado durante a aventura Um Ano no Topo do Rio Grande e hoje ele estava assim, com o litoral catarinense aberto, mas com acúmulo de nuvens na parte do Planalto. O frio, de lascar, só não estava pior por que o vento estava muito calmo e camarada. Este é um lugar para se ficar muito tempo parado, olhando, escutando e sentido a energia que emana dos paredões de mais de mil metros do fundo do vale, trazendo histórias, sons e odores do litoral distantes.
Minha cara de frio tentando, com os dedos enregelados, fazer uma foto que mostrasse as minhas pilchas para aguentar o rigor local e o Monte Negro ao fundo, local que levarei o grupo para conhecer o verdadeiro Topo do Rio Grande, através de uma estreita trilha que ascende ao ponto mais alto. De lá a vista é impressionante e se tem uma ampla visão do cânion Monte Negro que se afunda aos pés do morro. Informações sobre esta atividade podem ser obtidas pelo mail do autor (